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Preço da celulose inicia ano com

TENDÊNCIA DE QUEDA

 

s preços da celulose de fibra curta devem iniciar o ano em queda, na esteira do cenário instável para os negócios com a matéria-prima que marcou os dois últimos meses de 2010. Analistas que acompanham a indústria já trabalhavam com previsão de recuo nas cotações de referência ao longo do primeiro semestre e recuperação na segunda metade do ano, uma vez que não há entrada em operação de novas fábricas de fibra curta ou longa e a demanda cresce a taxas contínuas. Agora, contudo, a expectativa é a de "ajuste" mais severo no curtíssimo prazo, com a ausência do tradicional apetite chinês por esse tipo de fibra.
 

Em janeiro, ou o mais tardar fevereiro, deve ser anunciado corte de US$ 20 a US$ 30 nos preços, segundo esses profissionais, que também revisaram para baixo a cotação média estimada para 2011. Originalmente, analistas trabalhavam com cotação média projetada de US$ 870 a US$ 927 a tonelada. Agora, as previsões se concentram em torno da marca de US$ 870, ainda acima da média de preços no pré-crise.

O prenúncio de novo corte nas cotações no início de 2011 veio no começo do mês, quando a portuguesa Altri, uma das maiores produtoras locais de fibra, anunciou que acompanharia decisão da Fibriade reduzir os valores de referência em US$ 20 por tonelada para a matéria-prima vendida na Europa. Além disso, os produtores de celulose implementaram outro corte, de US$ 50/tonelada, na China.

Os produtores brasileiros não se pronunciaram sobre esse movimento e a falta de notícia dividiu analistas. Há quem trabalhe com preço da celulose de fibra curta na Europa de US$ 870 a tonelada em dezembro e há quem tenha considerado o corte, levando a cotação da matéria-prima no mercado europeu a US$ 850 por tonelada. Fonte da indústria ouvida pelo Valor, entretanto, disse que as empresas teriam "atualizado" seus preços de referência, já que os descontos concedidos estavam beirando os US$ 20 por tonelada. "Na China, o ajuste foi maior".
 


Assim, as cotações da fibra curta encerram 2010 estáveis na América do Norte, em US$ 900 a tonelada, e em US$ 750/tonelada na Ásia. "Sabe-se que houve um desconto de US$ 50 a tonelada para a China, mas outro corte não foi confirmado", diz o analista Leonardo Alves, da Link Investimentos. Nesse cenário, Alves trabalha com preço final para o mercado europeu em US$ 870 na Europa em 2010 e cotação média, considerando-se a mesma região, de US$ 850 a tonelada no ano que vem.

O Goldman Sachsincorporou ambos os cortes em suas projeções e reduziu as expectativas para os preços em 2011. Para a cotação média no próximo ano, tomando-se como base o mercado europeu, o banco estimava US$ 927 a tonelada. Após os lances de dezembro, cortou em 5,9% a projeção, para US$ 872/tonelada. "A China está no centro das negociações neste momento", escreveu em relatório o analista Marcelo Aguiar. "Um atraso na retomada da demanda chinesa por celulose (em razão da produção de papel menor do que era previsto) e um início de operação mais rápido do que o esperado da fábrica de celulose da Aprilna China levaram a um inesperado desequilíbrio de mercado no fim de 2010, o que deve se manter no primeiro trimestre de 2011."

Além disso, destacou Aguiar, as exportações de celulose a partir da Indonésia devem ganhar fôlego nos próximos meses, o que adiciona mais instabilidade ao mercado. A maior oferta de matéria-prima daquele país, sobretudo a clientes chineses, deve-se à aprovação do governo local para o plantio de florestas em novas áreas, o que pode levar à maior utilização da capacidade das fábricas, e a uma nova unidade fabril, em Kerinci, que deve começar a produzir 850 mil toneladas. "Esse aumento na oferta de fibra para a China pode levar a um excesso temporário, que será solucionado com o início de operação de novas fábricas de papel chinesas."

Em meados de 2011, contudo, o equilíbrio entre oferta e demanda deve voltar a prevalecer, especialmente no mercado asiático, com sustentação dos preços da matéria-prima e condições de novos aumentos de preço. Esse cenário será possível em razão da inexistência de investimentos em novas fábricas de celulose no mundo até meados de 2012, com exceção da unidade de Kerinci.

Para a presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes, é possível falar em estabilidade de preços, porém quedas mensais não estão descartadas. "Não vejo a China autossuficente nem no médio nem no longo prazo", afirmou, em encontro recente com jornalistas.

É justamente o país asiático que tem ocupado o papel de "motor" dos reajustes e que impulsionou as cotações no primeiro semestre. "Quando os preços subiram com força, os chineses deixaram de comprar e passaram a vender parte dos estoques, o que pressionou os preços", conta Alves, da Link.

Em 2010, a indústria brasileira de celulose - Fibria e Suzano Papel e Celulose aparecem na liderança global das produtoras de celulose branqueada de eucalipto - produziu 14 milhões de toneladas, segundo a Bracelpa, alta de 5,1% na comparação com o ano passado. Para 2011 projeta-se expansão de 7%, em linha com a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
 

 

Fonte: Valor online

 

 

 

 

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